11 abril, 2017

consequência.

Não há beleza nessa dor que eu chamo de poesia. Alma incapaz, a minha. Não cansa de se preocupar com coisas passageiras, coisas que parecem fáceis, mas ocupam todo o meu tempo com pensamentos medrosos, e coisas pequenas que tomam o espaço do meu corpo. Alma procura significado, certeza na incerteza e só encontra razões indefinidas. À espera de algo completo que a tire dos cruéis caminhos da dubiedade. Eu não sou digna de amor e perdão é a coisa mais impossível no meu dicionário. Mulher de faces, eles dizem sobre mim. Dona de mim é a última coisa que esperam que eu seja e, mesmo assim, quem me dera ter controle sob meus olhos ansiosos. Estou cansada de viver entre o sim e o não, o impossível e o possível, entre o que sou e o que nunca serei. Espero o dia em que em algum lugar, em alguma hora, em algum plano insatisfeito, eu possa dizer "vou-me, adeus", porque hoje eu me olho no espelho e digo "essa não sou eu, essa não sou eu... essa não sou eu".

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