love, love
will we ever meet?
you are so far
away
from me.
Seu rosto está em frente ao meu. Ele não reflete outro tipo de expressão a não ser a de cansaço e relaxamento, os dois sentimentos ao mesmo tempo, mergulhados um no outro. Você respira fundo, mal sei se está sonhando ou tendo um terrível pesadelo, mas gosto de lhe ver assim e assistir seu semblante cansado a descansar. Seus olhos fechados guardam todos os nossos segredos e a chave das portas do universo das palavras. As palavras, o nosso vínculo.
Enquanto te vejo descansar, não consigo imaginar pelo que você já passou. Seu corpo exausto carrega os dias entediantes de trabalho, correria e noites mal dormidas. Acaricio sua bochecha, você respira fundo, esquecendo-se de todos os problemas que o mundo lhe ofereceu. Queria lhe ver relaxado, assim, sempre. Eu até poderia dizer que és mais belo ao dormir, se eu esquecesse o quanto aprecio te ver de olhos sorridentes, abertos, como quando você me conta sobre algumas das músicas que mais gosta ou quando você quer solucionar mais um dos meus tantos mistérios.
A verdade é que você mal sabe de mim. Eu sou o meu maior mistério.
Eu nunca farei parte da sua realidade, talvez. Você poderá nunca ver meu rosto por inteiro, talvez nunca dividamos o mesmo ambiente, mas estamos presentes um no outro, você sente isso também? Sinto falta de todos os teus poemas que não foram dedicados a mim, todas as músicas que tu ouves a pensar em outra pessoa. Assistir você dormindo é um privilégio do qual eu não abro mão, todas as vezes que tu dormes, eu te acompanho e rememoro as nossas antigas brincadeiras, o quanto você amava me deixar boba de vergonha enquanto dizias os mais belos elogios dos quais eu discordava que merecia. Nunca saberei dizer-lhe como me sinto quando te vejo, meu coração pratica auto sabotagem e se machuca, se danifica, se destrói nesse processo.
Eu me perco todas as vezes que abres a boca para falar, todas as vezes que nossos olhares se cruzam, talvez em algum tipo de sonho, encantamento ou no próprio impossível. "Acorda", eu digo baixinho, passando a mão por teus cabelos, desejando que você acordasse e me visse ali, deitada ao teu lado. De repente, vejo-me de fora, deitada em sua cama, desejando que você sorrisse e que eu pudesse curar as doenças que teu coração inventou de sofrer, te esquentar em dias muito frios, estar contigo nos dias que sentisse vontade de chorar de solidão. Contudo, eu sei que desejar tudo isso é em vão, meu amor, pois eu sei, eu sei que me vou assim que tu abres os olhos. Desconcentro-me ao pensar em todas essas possibilidades e não noto que enfim, então, tu acordas.
(ESSE TEXTO TEVE OUTRO TÍTULO E FOI POSTADO ORIGINALMENTE EM OUTRO BLOG MEU, AGORA RESIDE AQUI)
0 comentários:
Postar um comentário