Abro os olhos, mas os raios de sol, que atravessam a janela, me fazem fechá-los novamente. Eu não sinto os lençóis que me aqueceram na noite passada, minha cama está fria e bagunçada, mas não o suficiente para me fazer levantar. Ainda não abro os olhos, minha mente vagueia entre a lembrança dos meus últimos sonhos e a tua imagem. A tua imagem não muito bem formada na minha memória, ainda não sei se tu és real ou apenas objeto de alguma falta dentro de mim, de um espaço vazio ou resultado da míngua de alguém. Por um momento, acho que você foi embora, se foi. Tento mentalizar a sua ida para contrariar o desejo de permanência, e você não vai, se recusa.
Eu posso sentir a tua ausência todos os dias, porque se você estivesse aqui, tudo seria mais fácil. Resolveríamos os nossos silêncios, que me incomodam tanto, com trocas de olhares e sorrisos escondidos. Eu poderia lhe mostrar todos os meus contos ruins, minha poesia pobre e minha música inadequada. Poderíamos gracejar do quanto fomos idiotas no passado (e ainda somos), dos nossos antigos amores e sair. Desvendar os patrimônios acabados, as praças, bares e, enfim, sorrir. Eu sorriria ao vislumbrar as vantagens de tua presença...
Tu apareces para mim, mas não estás aqui, por quê?
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