Este não é um texto de amor, eu não gosto de escrever sobre o amor e ninguém sabe se ele gosta de ser escrito, assim, com todas as nossas palavras vãs. Na verdade, eu não sinto vontade de escrever sobre o amor, porque ele me escreve e eu nunca serei capaz de escrever sobre algo impossível de ser encaixado em palavras, pelo menos é impossível para mim. Afinal, eu sou muito fácil de ser reduzida a palavras. Por exemplo, “eu”. Esse “eu” representa todo o meu passado, presente e o possível futuro. Duas letras, uma palavra. Todos os meus anos, amigos, desafios, metas, sorrisos, desencontros, todas as tristezas, lágrimas, as minhas notas baixas, as oportunidades ignoradas, todas as minhas mágoas, enfim... Tudo meu reduzido ao “eu”. Uma palavra, duas letras.
É por isso que digo que é impossível reduzir o amor, o amor é muito mais que o presente, o passado e o futuro. O amor é muito maior que as ambições do mundo. O amor é mais que as brigas de trânsito, as inimizades, a morte, muito maior que as noites em claro que a gente passa estudando, maior que nossas paranoias. Amor. Quatro letras, uma palavra. Reduzido, mas tu não achas que é pouco? Essa foi a pergunta que lancei para uma amiga, enquanto eu explicava toda a minha pequena teoria de que o amor é maior que tudo e nada. Ela fez uma cara de confusão e respondeu com apenas um: “É, pode ser”. Depois disso nunca mais tentei explicar sobre isso para ninguém, não sei o motivo, mas acho que fiquei magoada por minha amiga não entender o que eu estava tentando explicar. Nesse dia, eu percebi que eu estava tentando suprimir o meu amor em palavras. Amor não era o que eu sentia, afinal, não há uma lei determinada sobre o que é e o que não é amor, mas nós nos acostumamos a pensar que amor é um sentimento carregado de coisas boas, sensações profundas e descontroladas, mas acredito que não seja só isso.
Amor não seria tão breve assim, o amor não é simples, apesar de ser uma palavra com quatro letras. Amor é uma infinidade descontrolada. Amor é desconhecido e é nesse desconhecido que a gente se encontra. É variável inconstante. E mesmo assim, sinto quase sempre uma vontade de que ele fosse menor, pequeno, só meu. Egoísmo? Sim. Essa vontade é que me repele de escrever sobre o amor, pois se torna uma tarefa impossível, é como se eu estivesse girando na minha cadeira de rodinhas e ficasse tonta, mas mesmo assim decidisse continuar até a exaustão completa, é como partir de um ponto e navegar, navegar, navegar e voltar para o mesmo ponto de onde parti. É uma tarefa sem começo nem fim. É uma tarefa, talvez, sem propósito e conclusão.
Ágata
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