Fechava meus olhos enquanto respirava o ar suave da praia. A noite e a lua me vigiavam, eu sentia os meus pés quietos a tremer, mas ainda assim sustentando o pouco corpo que me restava. A areia meio fria e meio quente me dava a impressão de que eu iria afundar logo. Fazia frio e o vento gelado machucava meu rosto, naquele lugar onde você um dia havia tocado.
Inutilmente, comecei a dançar com aquele vento, que esquentava e abrigava meu corpo, no meu encalço. Dancei desejosamente aquela mesma dança, a que costumávamos dançar juntos. Meus cabelos bagunçavam e eu sentia tua mão na minha nuca, a tua presença invisível a me guiar naquela imensidão. Cada passo inflamava o meu peito, tomava conta do meu corpo e me balançava. De um passo para outro, eu descobri o significado dos meus sentimentos profundos e intangíveis. Despertei daquela dança quando a água tocou meus pés e as ondas brigaram com meus ombros, meu vestido pesava e me puxava para o mar, eu fui. Então, a água me puxou para o fundo. Quanto mais eu dançava, para mais fundo você me chamava, eu fui.
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